Goiabada

2002! Já vai longe esse ano. Foi um ano de mudanças e de esperanças no país, e foi o ano em que escrevi meu primeiro livro, seguindo a trilha de outro que fazia muito sucesso naquele momento: Quem mexeu no meu queijo, de Spencer Johnson. Já escrevia desde 1994 — é, comecei tarde — onde publicava no Jornal do Brasil e, depois, no jornal de Avaré/SP. 

No início desse século existiam alguns espaços onde escrevíamos na época, mas pouquíssimos escritores eram autores publicados e a grande maioria escrevia crônica e artigo. A internet não tinha muito espaço para romances. Aliás, só havia local para publicar eletronicamente e de forma gratuita. O ebook era o arquivo em formato PDF e publicávamos na Phoenix Library, na Ebooks Brasil, na Ebook Cult. Era o início da publicação eletrônica no Brasil. Muita gente baixava os livros mas não significava que leria. Apenas baixava, talvez pela novidade. Sabe quando vamos em alguma feira de livros, ou de artigos eletrônicos, ou qualquer outra coisa, e acabamos voltando pra casa com duas ou três sacolas carregadas de revistas, panfletos, brindes e qualquer porcaria que pegamos, apenas porque estavam dando? Pois é, acontecia o mesmo com os ebooks daquela época. Mas de qualquer maneira, esses espaços serviram como boas vitrines, principalmente quando você ficava entre os mais baixados.

Com o meu livro, Quem comeu minha goiabada?, aconteceu isso. Entre todos os locais, onde eu pude acompanhar, foram mais de 100.000 downloads. Hoje ainda é possível encontrar a primeira versão, com uma tosca capa, circulando por aí. Por causa do número de downloads, uma editora de Campinas se interessou, em 2003, pela publicação do livro. Chegaram a fazer a nova capa — é uma vermelha, com uma trilha de passos que chega a um buraco de rato — e assinamos o contrato, mas desistiram, sem maiores explicações. Fiquei muito desanimado. A gente não espera ganhar um doce, mas então ganha e quando vamos saboreá-lo, pimba, o arrancam da nossa boca. Foi um banho frio.

Continuei escrevendo, mas sem muita fé. Escrevia porque era o que eu queria fazer. Enquanto isso, o livro da Goiabada continuava circulando.

Em 2009, com um livro infantil e muitos textos depois, quando o apelo do meu livro, o Quem mexeu no meu queijo?, já estava quase morto, uma editora do Rio de Janeiro fez contato para publicá-lo. Claro, aceitei, mas já não via futuro para o livro. O tempo dele já tinha passado. Ainda assim, escrevi mais 1 ou 2 capítulos. 

Quando recebi o primeiro exemplar, as imagens dos “dizeres da goiabada” não constavam, além do livro ter o formato 14,5 X 10, que não “pegou no Brasil”. Esperneei, mas foi em vão. Publicava do jeito que estava ou não publicava. Foi pra rua e lá ficou. No ano passado eu recuperei os direitos de publicação.

Eu ia colocá-lo gratuitamente na Amazon, mas não achei certo fazer isso. Coloquei no preço mínimo de R$1,99. A Amazon acabou virando minha vitrine de livros.

Bom, pra comemorar esse relançamento, estou colocando o livro disponível gratuitamente, a partir de amanhá, 6 de julho, até sexta-feira, em http://goo.gl/g9yu7E.

Bem, pessoal, é isso.

Um grande abraço a todos.