Hoje quero abordar uma questão bem do cotidiano. Principalmente dos homens, mas que não são os únicos a terem problemas com a falta ou o excesso de gentileza, e isso vale para o campo pessoal e profissional.
Abrir a porta do carro para a dama entrar; estender a, famosa, capa de chuva sobre a poça, para a dama passar; acender o isqueiro ou o fósforo quando a dama queria fumar ? hoje, esse hábito está fora de moda ?; chamar para dançar e tantos outros que eram prerrogativas dos verdadeiros gentlemens, ou cavalheiros, quase desapareceram do dia-a-dia dos homens e das mulheres, exceção feita quando o homem corteja a mulher.
Mas hoje, com a gratificante emancipação das mulheres, a coisa mudou. Não é verdade?
Sim, mudou, mas mudou para pior.
O homem, vendo sua condição de “macho” ficar machucada ? perdoem o trocadilho infame ? não só voltou a fazer gentilezas, como as extrapolou, sendo que em muitas vezes as faz sem necessidade, sem que a mulher faça uma alusão à precisão de obter tal gentileza.
A mulher, por sua vez, talvez por algum resquício de um passado de obediência ao gênero masculino, tem uma tendência, louvável, de ajudar ao próximo. Contudo, da mesma forma, peca pelo excesso, seja por receio ou por não enxergar o provável resultado desse excesso.
O ser humano é, por natureza, um ser que se acostuma com a zona de conforto ? não é a toa que os treinamentos falam, constantemente, sobre esse assunto ?, e da mesma forma que essa zona pode ser proveniente de “deitar os louros” sobre um trabalho bem feito, por ter sido uma boa diretora ou por ter escrito um “best seller”; ela pode ser gerada por um terceiro, que faz tudo para agradá-lo.
Tentei de todas as formas não utilizar um palavreado chulo, mas sem sucesso. O ser humano tem a mania, não sei se por natureza própria, de “montar” naquele que faz as suas vontades. Quanto mais vontades são feitas, mais agarrado à sela fica o cavaleiro ou a amazona.
Se o mal não pode ser cortado pela raiz, que seja cortado quando puder. Nunca é tarde!
Quer ajudar ao próximo, ajude de coração aberto. Por outro lado, diga não, sem pena, quando sentir que esse próximo está abusando.
Quer, de certa forma, paparicar o cônjuge, faça-o, mas não permita que ele comece a pedir um copo d´água, um sanduiche ou um café. Você quer paparicar e não atender as ordens dele. Quando essas atitudes começarem, corte-as, gentilmente.
O colega, ao lado, está com o relatório atrasado e você já terminou o seu? Ajude-o. Não há problema em auxiliar as pessoas. Mas não deixe que ele peça para fazer o relatório para ele, pois caso contrário, logo você estará fazendo toda a tarefa. A sua e a dele.
Por isso, o ato de dizer “não” torna-se, às vezes, tão difícil e que requer persistência da nossa parte. Sem necessidade de ser um não estrondoso, um não sutil traz um efeito bem melhor e marcante. Acredite, o outro entenderá.
Se ele não entender? Bem, aí não tem escapatória. Diga NÃO!
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